O texto postado abaixo constitui parte da monografia de minha namorada. Achei tão interessante que deixo aqui para quem se interesse pelo assunto.
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Feitas essas imprescindíveis considerações iniciais acerca da influência das tecnologias digitais na literatura infantil – e agora delimitando este capítulo a abordagem da literatura infantil brasileira –, somos obrigados a olhar para o passado e verificar, mesmo que sinteticamente, a trajetória dessa literatura em nosso país se quisermos melhor compreender os seus conteúdos e formas, explorados na atualidade.
Nesse sentido, pode-se afirmar que a literatura infantil brasileira apenas começou a florescer a partir do século XX, momento em que a exploração dos mitos, lendas e histórias folclóricas nacionais, passaram a serem feitas com a devida propriedade, bem como houve uma maior preocupação em se produzir obras destinadas a um público infantil. Isso ocorreu mais precisamente na segunda década do século XX quando Monteiro Lobato ao lançar O sítio do pica-pau amarelo, através da publicação A menininha do narizinho arrebitado, iniciou uma literatura voltada para crianças, ainda inédita no Brasil. Essa publicação mesclou em suas páginas, histórias e figuras, pertencentes a cultura nacional (tais como o saci, o curupira) à temas mitológicos e uma infinidade de situações fantásticas, que contadas a partir de formas narrativas coloquiais remetem a tradição da literatura oral. Aliado a isso, Monteiro Lobato, pela primeira vez em nosso país, também criava histórias voltadas para crianças mesclando conteúdo educativo à irreverência, à liberdade de imaginação, e a promoção do livre questionamento, incentivando, já no público infantil, a formação de leitores críticos e, conseguia, dessa maneira, iniciar o processo de construção de uma real literatura infantil brasileira.
No entanto, apesar dos esforços de Monteiro Lobato, a literatura infantil brasileira (em razão da falta de um conjunto de obras e autores fomentadores de uma regular produção literária capacitada atender às necessidades do público infantil) apenas iria alcançar maior desenvoltura décadas posteriores, mais precisamente a partir dos anos 70, conforme a Drª Maria Zaira Turchi, apresentou no XI Congresso Internacional da ABRALIC (Associação Brasileira de Literatura Comparada):
A partir dos anos 70, a literatura infantil e juvenil inaugura um período extremamente fértil no Brasil. As obras podem ser agrupadas em tendências temático-estilísticas, construindo uma história do gênero que reflete o momento histórico social brasileiro e a situação do leitor por meio de um projeto estético ousado e criativo. Aparecem nomes que ainda hoje continuam a publicar, com sucesso, obras para crianças e jovens, entre eles: Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Lygia Bojunga Nunes, Ziraldo, João Carlos Marinho entre outros, reatando as pontas com a tradição lobatiana por novas vias que contemplam a crítica social, o humor, o suspense, a aventura da linguagem.
Nesse período, o gênero literário infantil, utilizando uma estética que privilegiava uma maior relação entre texto, ilustrações e elementos gráficos, abordavam temas tocantes ao cotidiano, a crítica a sociedade brasileira, a aventura, ao suspense… e o uso de uma veia humorada e irreverente, sem perder de vista a valorização do imaginário infantil e a formação de um leitor, não apenas passivo, mas principalmente crítico. Dessa forma, pode-se perceber a riqueza que constituiu este período para a literatura infantil, tanto em termos quantitativos (números de autores, sistematização das publicações infantis), quanto em termos qualitativos (forma utilizada, conteúdo abordado), o que inevitavelmente originou um salto para essa faceta da produção literária brasileira.
Feita essa breve exposição sobre a trajetória da literatura infantil pátria e agora retornando nosso olhar para o presente, passaremos a observar como esta literatura é produzida atualmente, destacando os temas e as formas, presentes nas publicações recentes.
No atual cenário da literatura infantil podemos perceber, a princípio, uma retomada dos clássicos universais, bem como o uso da paródia de histórias antigas, conforme as palavras de Maria Zaira Turchi:
No panorama atual, um levantamento da produção literária para crianças aponta para uma retomada dos clássicos universais, dos clássicos brasileiros, dos contos de fadas, de histórias exemplares, de narrativas das mitologias grega, africana, indígena, entre outras. Além da publicação em nova edição, bem cuidada, com os avanços dos recursos disponíveis nas artes gráficas, há também a revisitação dessas antigas histórias numa direção da paródia ou da desconstrução pelo humor ou pela crítica dos valores ou paradigmas sociais. Essas formas e temas literários revitalizados trazem como marca estética a presença de dados da contemporaneidade na caracterização do tempo, do espaço e dos conflitos.
Dessa forma, entende-se que os temas clássicos continuam mantendo sua importância na literatura infantil brasileira, bem como histórias que se originam no chamado inconsciente coletivo (mitologias, contos de fadas) ainda são consideradas bastante atrativas e exploradas no cenário literário infantil, embora as mesmas nem sempre consigam acrescentar novas idéias ou elementos e, não raramente, são usadas pelas editoras com o propósito de apenas aferir lucro à custa de fórmulas prontas. Também vale destacar que as obras infantis contemporâneas estão adotando um caráter menos realístico na abordagem social, algo comum na década de 80, e apresentam uma tendência em ressaltar fórmulas mais simbólicas, poéticas e esperançosas na busca da humanização das relações sociais. Outro aspecto que ainda merece destaque é a forma e a aparência que os livros infantis estão adotando. Em virtude dos grandes avanços na área gráfica, bem como do constante aperfeiçoamento editorial, existe uma forte tendência em tornar o livro destinado ao público infantil, cada vez mais rico do ponto de vista gráfico e de ilustração. Assim, recursos dessa natureza ganham mais espaço nas recentes publicações, o que se por um lado gera um efeito mais atrativo, por outro, pode ofuscar o conteúdo e o discurso presente na história infantil, negligenciando sua mensagem.
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Olá,
Gostei do texto e me interesso pela monografia da sua namorada. Tem como me encaminhá-la?
Meu email é: saruom@gmail.com
Abraço e obrigado
Ola, muito bom esse texto eu estou fazendo um trabalho sobre literatura infantil, gostaria que me mandasse a monografia sera que possivel? Desde ja muito obrigada.
email: sh.prestes@hotmail.com
estou com dificuldade de fazer minha monografia ,amei otexto da sua namorada.Será possivel voce enviar alguns tópicos para minha monografia sobre a literatura infantil.preciso para hj.?