Meu novo blog de escritos literários: O Acrobata Embriagado
Acesse, leia, comente, ou não, mas visite ;)

Vladimir Kush
Meu novo blog de escritos literários: O Acrobata Embriagado
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Vladimir Kush
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Conforme já estava anunciando há algum tempo, acabo de inaugurar um novo blog. Provavelmente o “Pontes Oníricas” será encerrado ou as postagens por aqui serão mera obra do acaso (embora o acaso não exista). O novo blog (speculacultura) exigirá muito trabalho para sua manutenção e não poderei continuar dividindo os esforços com esta atual página.
Acesse: SPECULACULTURA
Abs.
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O novo blog já está próximo da inauguração. Sua nova proposta está idealizada e o primeiro post em breve estará no ar.
Algumas das mudanças do novo blog:
1- Todos os assuntos abordados e discutidos serão inseridos, prioritariamente, em contextos artísticos;
2 – Análise dos assuntos a partir de suas diversas representações na literatura, música, artes plásticas…
3 – Preocupação em não se limitar a mera informação, mas, além disso: ao desenvolvimento do debate;
4 – Textos mais extensos e embasados
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Porque uma história de derrotas não muda com uma vitória!
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Leitores, em breve mudanças ocorreram neste blog. Talvez ele seja substituído por outro com uma proposta mais abrangente e diversa. Já estou iniciando o projeto e à medida que sua concretização se aproximar darei mais informações.
Abraços.
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Recentemente tive a grata surpresa de encontrar o blog Pela Toca Do Coelho, trata-se de um espaço destinado a abordar vários temas relacionados a obra Alice no país das maravilhas e lá encontrei a indicação de uma curiosa animação dessa história feita na URSS, isso mesmo. Segundo o blog os três vídeos que a integra:
É um filme, feito na ex-União Soviética em 1981, dirigido por Efim Pruzhanski, chamado “Алиса в Стране Чудес”, que traduzido significa “Alisa no País dos Milagres”. Ele é dividido em três partes, então eu suponho que tenha sido feito somente pra televisão…
Os vídeos possuem uma animação bastante diferenciada e uma música bem legal, destaco as cores utilizadas, muito vivas e belas de assistir, além da peculiar forma adotada para criar cenas, é claro que não dá pra entender os diálogos (a lingua é russa), mas pra quem conhece a história (como eu) não há dificuldade nenhuma em acompanhar os episódios. Pra quem é fã dessa obra vale muito a pena conferir.
Publicado em Colaborações, Vídeos | Tagged Alice No País Das Maravilhas | 1 Comentário »
O texto postado abaixo constitui parte da monografia de minha namorada. Achei tão interessante que deixo aqui para quem se interesse pelo assunto.
(…)
Feitas essas imprescindíveis considerações iniciais acerca da influência das tecnologias digitais na literatura infantil – e agora delimitando este capítulo a abordagem da literatura infantil brasileira –, somos obrigados a olhar para o passado e verificar, mesmo que sinteticamente, a trajetória dessa literatura em nosso país se quisermos melhor compreender os seus conteúdos e formas, explorados na atualidade.
Nesse sentido, pode-se afirmar que a literatura infantil brasileira apenas começou a florescer a partir do século XX, momento em que a exploração dos mitos, lendas e histórias folclóricas nacionais, passaram a serem feitas com a devida propriedade, bem como houve uma maior preocupação em se produzir obras destinadas a um público infantil. Isso ocorreu mais precisamente na segunda década do século XX quando Monteiro Lobato ao lançar O sítio do pica-pau amarelo, através da publicação A menininha do narizinho arrebitado, iniciou uma literatura voltada para crianças, ainda inédita no Brasil. Essa publicação mesclou em suas páginas, histórias e figuras, pertencentes a cultura nacional (tais como o saci, o curupira) à temas mitológicos e uma infinidade de situações fantásticas, que contadas a partir de formas narrativas coloquiais remetem a tradição da literatura oral. Aliado a isso, Monteiro Lobato, pela primeira vez em nosso país, também criava histórias voltadas para crianças mesclando conteúdo educativo à irreverência, à liberdade de imaginação, e a promoção do livre questionamento, incentivando, já no público infantil, a formação de leitores críticos e, conseguia, dessa maneira, iniciar o processo de construção de uma real literatura infantil brasileira.
No entanto, apesar dos esforços de Monteiro Lobato, a literatura infantil brasileira (em razão da falta de um conjunto de obras e autores fomentadores de uma regular produção literária capacitada atender às necessidades do público infantil) apenas iria alcançar maior desenvoltura décadas posteriores, mais precisamente a partir dos anos 70, conforme a Drª Maria Zaira Turchi, apresentou no XI Congresso Internacional da ABRALIC (Associação Brasileira de Literatura Comparada):
A partir dos anos 70, a literatura infantil e juvenil inaugura um período extremamente fértil no Brasil. As obras podem ser agrupadas em tendências temático-estilísticas, construindo uma história do gênero que reflete o momento histórico social brasileiro e a situação do leitor por meio de um projeto estético ousado e criativo. Aparecem nomes que ainda hoje continuam a publicar, com sucesso, obras para crianças e jovens, entre eles: Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Lygia Bojunga Nunes, Ziraldo, João Carlos Marinho entre outros, reatando as pontas com a tradição lobatiana por novas vias que contemplam a crítica social, o humor, o suspense, a aventura da linguagem.
Nesse período, o gênero literário infantil, utilizando uma estética que privilegiava uma maior relação entre texto, ilustrações e elementos gráficos, abordavam temas tocantes ao cotidiano, a crítica a sociedade brasileira, a aventura, ao suspense… e o uso de uma veia humorada e irreverente, sem perder de vista a valorização do imaginário infantil e a formação de um leitor, não apenas passivo, mas principalmente crítico. Dessa forma, pode-se perceber a riqueza que constituiu este período para a literatura infantil, tanto em termos quantitativos (números de autores, sistematização das publicações infantis), quanto em termos qualitativos (forma utilizada, conteúdo abordado), o que inevitavelmente originou um salto para essa faceta da produção literária brasileira.
Feita essa breve exposição sobre a trajetória da literatura infantil pátria e agora retornando nosso olhar para o presente, passaremos a observar como esta literatura é produzida atualmente, destacando os temas e as formas, presentes nas publicações recentes.
No atual cenário da literatura infantil podemos perceber, a princípio, uma retomada dos clássicos universais, bem como o uso da paródia de histórias antigas, conforme as palavras de Maria Zaira Turchi:
No panorama atual, um levantamento da produção literária para crianças aponta para uma retomada dos clássicos universais, dos clássicos brasileiros, dos contos de fadas, de histórias exemplares, de narrativas das mitologias grega, africana, indígena, entre outras. Além da publicação em nova edição, bem cuidada, com os avanços dos recursos disponíveis nas artes gráficas, há também a revisitação dessas antigas histórias numa direção da paródia ou da desconstrução pelo humor ou pela crítica dos valores ou paradigmas sociais. Essas formas e temas literários revitalizados trazem como marca estética a presença de dados da contemporaneidade na caracterização do tempo, do espaço e dos conflitos.
Dessa forma, entende-se que os temas clássicos continuam mantendo sua importância na literatura infantil brasileira, bem como histórias que se originam no chamado inconsciente coletivo (mitologias, contos de fadas) ainda são consideradas bastante atrativas e exploradas no cenário literário infantil, embora as mesmas nem sempre consigam acrescentar novas idéias ou elementos e, não raramente, são usadas pelas editoras com o propósito de apenas aferir lucro à custa de fórmulas prontas. Também vale destacar que as obras infantis contemporâneas estão adotando um caráter menos realístico na abordagem social, algo comum na década de 80, e apresentam uma tendência em ressaltar fórmulas mais simbólicas, poéticas e esperançosas na busca da humanização das relações sociais. Outro aspecto que ainda merece destaque é a forma e a aparência que os livros infantis estão adotando. Em virtude dos grandes avanços na área gráfica, bem como do constante aperfeiçoamento editorial, existe uma forte tendência em tornar o livro destinado ao público infantil, cada vez mais rico do ponto de vista gráfico e de ilustração. Assim, recursos dessa natureza ganham mais espaço nas recentes publicações, o que se por um lado gera um efeito mais atrativo, por outro, pode ofuscar o conteúdo e o discurso presente na história infantil, negligenciando sua mensagem.
(…)
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Lua
Muda
Surda
Muda
De céu
E vem
Pra cá
Me namorar
No chão
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A dualidade humana; a existência de um ser desconhecido, ou reprimido, a povoar nosso interior e que sob certas circunstâncias aparece de forma repentina; a busca de si mesmo através de reflexos nos espelhos. Todas essas questões são bastante usuais na literatura, no entanto, é inegável que suas origens remetem ao plano mitológico. De fato, basta observar como as mitologias tradicionais do ocidente abordam a origem da humanidade para termos idéia da dimensão dessa matéria. O texto bíblico Gêneses, por exemplo, ao narrar a origem do mundo expõe que no princípio o homem era apenas um, vindo a se tornar dois após a criação de Eva, estando, desde então, impelido a constante busca de sua outra parte. Na mitologia grega, em uma da várias versões existentes sobre a origem do homem, este teria sido no início um ser uno, mas após afrontar os deuses foi punido com a divisão que, o deixou enfraquecido e confinado a incessante busca de sua outra metade.
Por outro lado, a psicanálise também é riquíssima em explicações e teorias acerca dessa dualidade humana, Jung, por exemplo, considera que todos nós possuímos no inconsciente o elemento do gênero contrário, assim, o homem possuiría a faceta feminina chamada Anima em sua instância inconsciente e a mulher tería a faceta masculina chamada Animus, e, nessa direção, o ser humano apenas conheceria a si mesmo após o estabelecimento de um diálogo com essas instâncias inconscientes, ouvindo menos sua persona (mascara social) e atentando mais para sua demanda interior.
Nossa mente também não está unicamente sob o domíbio da razão, nossas vontades são influenciáveis pelo inconsciente e, de acordo com Jung:
Não resta dúvida de que, mesmo no que chamamos “um alto nível de civilização”, a consciência humana ainda não alcançou um grau razoável de continuidade. Ela ainda é vulnerável e suscetível à fragmentação. (…) Portanto, mesmo nos nossos dias, a unidade da consciência ainda é algo precário e que pode ser facilmente rompido.
Dentre os vários contos que abordam, de alguma forma, essa questão, destaco agora três. Os dois primeiros são de escritores famosos do final do século XIX que, embora, usem estilos diferentes conseguem chegar a um denominar comum. O terceiro é conhecido pelo regionalismo universal e consegue atingir como poucos as nuances da mente humana. Interessante ver nos trechos que se seguem como questões tão intrínsecas a nossa identidade são exploradas a partir do recurso do espelho:
O Horla - Guy Maupassant
Estava claro como se fosse o meio-dia, mas não conseguia ver meu reflexo no espelho! Estava vazio, claro, profundo, cheio de luz! Só que minha imagem não estava refletida nele… E eu, eu estava na frente do espelho! Examinei o grande e claro espelho, de cima a baixo, olhei-o com olhos vacilantes. Não ousei aproximar-me, não me arrisquei a fazer um movimento sequer, sentindo que ele estava ali, mas que novamente me escapara, ele cujo corpo imperceptível absorvera meu reflexo. Como eu estava amedrontado! E então, subitamente, comecei a ver-me através de uma névoa no fundo do espelho, uma névoa que parecia um lençol de água. Parecia-me que a água escorria mais clara a todo momento. Era como o fim de um eclipse. O que quer que ocultasse minha imagem não parecia possuir contornos definidos, mas uma espécie de transparência opaca que ia clareando aos poucos.Afinal, consegui distinguir meu reflexo completamente, como acontece todos os dias quando me olho no espelho. Eu o vira! O horror dessa visão ficou comigo e, mesmo agora, faz-me tremer.
O Espelho - Machado De Assis
- Vão ouvir coisa pior. Convém dizer-lhes que, desde que ficara só, não olhara uma só vez para o espelho. Não era abstenção deliberada, não tinha motivo; era um impulso inconsciente, um receio de achar-me um e dois, ao mesmo tempo, naquela casa solitária; e se tal explicação é verdadeira, nada prova melhor a contradição humana, porque no fim de oito dias deu-me na veneta de olhar para o espelho com o fim justamente de achar-me dois. Olhei e recuei. O próprio vidro parecia conjurado com o resto do universo; não me estampou a figura nítida e inteira, mas vaga, esfumada, difusa, sombra de sombra.
- Vou-me embora, disse comigo. E levantei o braço com gesto de mau humor, e ao mesmo tempo de decisão, olhando para o vidro; o gesto lá estava, mas disperso, esgaçado, mutilado… Entrei a vestir-me, murmurando comigo, tossindo sem tosse, sacudindo a roupa com estrépito, afligindo-me a frio com os botões, para dizer alguma coisa. De quando em quando, olhava furtivamente para o espelho; a imagem era a mesma difusão de linhas, a mesma decomposição de contornos… Continuei a vestir-me. Subitamente por uma inspiração inexplicável, por um impulso sem cálculo, lembrou-me… Se forem capazes de adivinhar qual foi a minha idéia…
- Diga.
- Estava a olhar para o vidro, com uma persistência de desesperado, contemplando as próprias feições derramadas e inacabadas, uma nuvem de linhas soltas, informes, quando tive o pensamento… Não, não são capazes de adivinhar.
- Mas, diga, diga.
- Lembrou-me vestir a farda de alferes. Vesti-a, aprontei-me de todo; e, como estava defronte do espelho, levantei os olhos, e… não lhes digo nada; o vidro reproduziu então a figura integral; nenhuma linha de menos, nenhum contorno diverso; era eu mesmo, o alferes, que achava, enfim, a alma exterior. Essa alma ausente com a dona do sítio, dispersa e fugida com os escravos, ei-la recolhida no espelho.
O Espelho – Guimarães Rosa
— Foi num lavatório de edifício público, por acaso. Eu era moço, comigo contente, vaidoso. Descuidado, avistei… Explico-lhe: dois espelhos — um de parede, o outro de porta lateral, aberta em ângulo propício — faziam jogo. E o que enxerguei, por instante, foi uma figura, perfil humano, desagradável ao derradeiro grau, repulsivo senão hediondo. Deu-me náusea, aquele homem, causava-me ódio e susto, eriçamento, espavor. E era — logo descobri… era eu, mesmo! O senhor acha que eu algum dia ia esquecer essa revelação?
Desde aí, comecei a procurar-me — ao eu por detrás de mim — à tona dos espelhos, em sua lisa, funda lâmina, em seu lume frio. (…)
Pois foi que, mais tarde, anos, ao fim de uma ocasião de sofrimentos grandes, de novo me defrontei — não rosto a rosto. O espelho mostrou-me. Ouça. Por um certo tempo, nada enxerguei. Só então, só depois: o tênue começo de um quanto como uma luz, que se nublava, aos poucos tentando-se em débil cintilação, radiância. Seu mínimo ondear comovia-me, ou já estaria contido em minha emoção? Que luzinha, aquela, que de mim se emitia, para deter-se acolá, refletida, surpresa? Se quiser, infira o senhor mesmo.
São coisas que se não devem entrever; pelo menos, além de um tanto. São outras coisas, conforme pude distinguir, muito mais tarde — por último — num espelho. Por aí, perdoe-me o detalhe, eu já amava — já aprendendo, isto seja, a conformidade e a alegria. E… Sim, vi, a mim mesmo, de novo, meu rosto, um rosto; não este, que o senhor razoavelmente me atribui. Mas o ainda-nem-rosto — quase delineado, apenas — mal emergindo, qual uma flor pelágica, de nascimento abissal… E era não mais que: rostinho de menino, de menos-que-menino, só. Só.
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